Talvez os rigores do clima ou a progressiva perda de pelos do corpo obrigaram o homem a procurar proteção, encontrando na pele dos animais o seu primeiro abrigo. As peles maiores, usadas sobre os ombros, constituiam testemunho do valor do caçador e protegiam-no contra os rigores do frio ou da chuva, fazendo parte do seu primitivo escudo. O couro cru, untado de gordura natural, flexionado e surrado pelo uso, tornou-se macio. Pelo uso e pela ação das enzimas, as peles ficaram depiladas, enriquecendo assim o conhecimento do homem, que apreciou as novas qualidades desde material.Aprendeu ainda que a lama tinha a propriedade de acelerar a remoção do pelo.Através de milênios, o homem foi desvendando o segredo da conservação das peles, com gordura e após com extratos vegetais, das polpas e cascas das árvores.
Na idade da pedra, tentos de couro atavam os machados de pedra, ou eram empregados nos arcos de caça.Os nômades transportavam água em bolsas de couro, costume ainda empregado.A história documenta que os hebreus descobriram o curtimento com casca de carvalho. Povos como os árabes, distinguiram-se nos trabalhos de encadernação e selaria, onde muitas de suas fórmulas vieram até nossos dias e entre eles, o curtimento com alúmem e sal comum. Os milênios da civiliação, não apagaram as tradiçoes da arte de curtir, cujos segredos eram avaramente transmitidos de pai para filho. O tempo, fez com que, espíritos mais esclarecidos levassem a arte para dentro da ciência de curtir.O empirismo deu lugar a metodização, e com isso ao progresso científico.
Em meados do século 19, foram descobertos, os métodos do curtimento ao cromo.

O Curtimento é a ciência de domínio da Química e o químico curtidor, com maiores conhecimentos que dos seus antepassados, possui drogas e aparelhagem, a qual permite o controle de seus processos. Tem o curtimento por objetivo, converter as peles em substâncias imputrecíveis e impermeáveis, dotando-as simultaneamente de flexibilidade suavidade e resistência.
A pele curtida recebe o nome de "Couro". A pele sem tratamento não resiste à todas as aplicações da vida moderna, mas o seu curtimento lhe confere vida longa e múltiplas utilidades.Uma delas é a confeção de calçados que no momento nos interessa.
Os primeiros sapatos de que se tem notícia apareceram na Mesopotâmia e no Egito, 5 mil anos antes de Cristo. Eram sandálias feitas de fibras vegetais e couro e nem todo mundo podia usá-las: eram exclusividade dos soberanos sumérios, assírios, babilônicos, cretenses e egípcios. "Nesta última civilização, o faraó dava muita importância às sandálias. Tinha uma pessoa só para levá-las de um lugar ao outro", conta Ida. Também na mesma época surgiram as botas. Estas foram criadas pelos persas, que viviam nas montanhas e viajavam muito a cavalo. "O sapato, neste caso, foi uma necessidade imposta pelo frio e pelo modo de vida".
Tags: calçados pasta refinada