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O futuro da leitura

Postado 18/01/2008 em Internet

A iniciativa inédita da dupla de fundadores do Google: catalogar o conteúdo de todos os livros do mundo

Qual será o futuro da leitura? Para o Google, ele mora no onipresente site de buscas. Um dos mais ruidosos planos da empresa é colocar on-line todos os livros do mundo. O ano de 2008 será crucial na empreitada. Pelo menos 1 milhão de volumes já foi digitalizado, a um custo estimado em US$ 5 milhões, até agora. O projeto poderá ultrapassar os US$ 100 milhões.

Todo o conhecimento humano disponível para consulta por qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lugar. É a nova Biblioteca de Alexandria – assim pensadores e articulistas descrevem o monumental projeto do Google para digitalizar os cerca de 55 mihões de livros que, segundo a OCLC (Centro Computadorizado Online de Bibliotecas), existem no mundo. Para muitos – tão esclarecidos e visionários quanto os defensores da idéia – a iniciativa é temerária, uma ameaça à propriedade intelectual, entre outros perigos orwellianos.

A Pesquisa de Livros do Google (livros.google.com.br) não é nem uma coisa nem outra. É apenas uma maneira nova para as pessoas descobrirem livros – o que não deixa de ser revolucionário. Como você fica sabendo de um livro? Lendo uma resenha de revista ou jornal? Reparando na capa, título ou autor do exemplar na livraria? Recebendo a indicação de algum conhecido? Pois o Google torna pesquisáveis os textos completos dos livros. Assim você os encontra por afinidade temática, ou seja, quando contêm o termo que procura, mesmo que esteja enterrado no miolo. Uma busca por “novela das oito”, por exemplo, identifica 142 livros, começando por aqueles nos quais o assunto é mais preponderante. Já a pesquisa por “corrupção” encontra 1178 livros, uma bela bibliografia para quem quer se aprofundar no tema.

Se o livro encontrado estiver no domínio público, você pode, então, visualizá-lo por completo e até imprimir páginas. Se não, as funções de copiar, imprimir e salvar ficam bloqueadas e seu acesso é limitado à visualização de alguns trechos ou páginas, dependendo da origem do livro. Os livros vêm de duas fontes: bibliotecas e parceiros (editoras e autores). Quando vêm de biblioteca e não estão no domínio público, o Google só permite a visualização de pequenos trechos contendo as palavras buscadas. Com isso, cumpre as leis de direitos autorais. Já no caso dos livros incluídos no programa por parceiros, o usuário enxerga até 20% das páginas. O objetivo do Google é melhorar a qualidade dos resultados de busca que oferece aos seus usuários. Os livros, não esqueçamos, são uma fonte altamente qualificada de informação.

O que incentiva autores e editoras a incluir seus livros no programa é a possibilidade – ou melhor, a probabilidade – de que mais pessoas os descubram, tomem interesse e queiram comprá-los. Cada página que é visualizada apresenta links para livrarias e bibliotecas nas quais o usuário pode encontrar aquele livro. Os dados acumulados sobre os milhões de livros que já estão no ar comprovam que quanto mais páginas são vistas, maior a propensão ao clique num desses links. No Brasil, editoras pioneiras como Ediouro, Loyola, Nobel, Roca, Senac, Summus, Unesp e mais de 50 outras já se juntaram aos mais de 10 mil parceiros e 26 bibliotecas do mundo afora que contribuem para o projeto. Enquanto isso, no avesso, outras editoras brasileiras mantêm seus livros fechados nas prateleiras para serem descobertos só pelas maneiras tradicionais.

Algumas justificam a relutância pelo temor de que alguém consiga copiar partes de seus livros. Mas, se esse for o propósito, é mais fácil escanear ou fotocopiar o próprio livro do que tentar burlar o sistema de segurança da Google só para conseguir imagens em baixa resolução de algumas páginas. Além disso, livros, apesar de muito valiosos, não são tão valorizados. Como relatou um editor local quando sua empresa foi roubada, “levaram computadores, telefones e até a máquina de fazer café, mas não mexeram num livro sequer”. Outras editoras temem que o leitor se satisfaça com as poucas páginas disponibilizadas. Podem estar subestimando suas obras, sem falar no meio em si. Afinal, 500 anos depois de sua invenção, o livro impresso continua sendo uma tecnologia de informação ímpar. É portátil, relativamente barato e proporciona conforto inigualável para a leitura. Por esses e outros motivos – desde o fato de não precisarem ser desligados na decolagem, até o aconchegante aroma do papel e tinta – as pessoas ainda amam livros. A começar por Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, que conceberam parte do mecanismo de busca mais famoso do mundo enquanto estudantes, colaboradores do projeto de digitalização da Biblioteca de Stanford.

 
Fonte: revistadasemana.abril.com.br


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